sábado, 12 de janeiro de 2008
quarta-feira, 9 de janeiro de 2008
ILHA DO PICO O Senhor absoluto do Arquipélago
O Pico, é o campeão das alturas portuguesas, humilha a Serra da Estrela com mais de 500 metros acima desta, tem todo o arquipélago de olhos postos em si, nos maus humores, quando se envolve, no seu em manto de neblina cerrada e vaporosa que não quere saber de ninguém. Mas de vez em quando lá concede em mostrar-se, descobrindo a ponta da montanha que logo se vê da Terceira, dizendo a população que dentro de três dias vai chover... Caprichos ou mistérios de senhor Rei das alturas.
assim, é que há-de ser para sempre, as tuas vontades são ordens... eu que o diga que já te tentei escalar e mandaste-me chuva e granizo num dilúvio de ma disposição... Vamos pois desta vez cá mais por baixo a descobrir-te calmamente nos teus domínios sem desafiar caractere tão sensível... E partindo da Madalena com um importante porto de acostar, já brindado pelos garridos grafitti dos veleiros e barcos de recreio que lhe vêem em demanda. A Madalena e uma vila agradável, com o seu moderno Hotel das Descobertas ao lado da Matriz novecentista, de torres aguçadas em competição com as duas aurocarias que se recatam por detrás. Distintas são algumas casas no debruço da muralha do antigo ancoradouro e porto de pesca, mas a casa de maior interesse de Madalena e a Câmara, seiscentista, com uma fabulosa pedra de armas em que se penduram na coroa das quinas, dois inesperados corvos. Pena é a pedra estar toda pintada de branco... Partindo pela esquerda na direcção de S. Roque do Pico, logo se começa a ver as vinhas bem cuidadas do verdelho «esta uva não tem sumo e só carne» (conforme comentava um tratador quando nos deu um cacho a provar) e onde alinham, indicadas por tabuletas, as diversas castas plantadas. Era dia de prova geral nas Bandeiras, povoação com uma igreja de certa imponência mas de modesta decoração na fachada, Nossa Senhora da Boa Nova, datada de 1860. Rumando para o Cachorro há procura do mar e vai-se notando com curiosidade que nesta ilha se encontra em abundancia o pinheiro bravo em desabono da criptomeria que, importada do Japão, é hoje em dia um dos ex-libris açorianos.
O Cachorro é terra antiga, bem assinalada pela sua capela decapitada, de pedra exibindo a vetusta data de 1687. De resto inúmeras casas na antracite da pedra vulcânica, dão-Ihe pergaminhos de beleza rupestre, coroada pelo intricado jogo dos rochedos cavernosos, vazados e em volutas de caprichos que ornam os diversos acessos ao apetite do mar.
Em Santa Luzia encontra-se a curiosa Igreja de S. Pedro, de torres assimétricas e de lá vê-se a linha branca do resves da água do aglomerado dos Arcos. E para lá do azul profundo a longa silhueta cinzenta da ilha de S. Jorge, Passando as pequenas povoações de Santana e S. Vicente, e em Santo Antonio a igreja surge importunada por uma casita que se lhe adoça sem cerimónia, a despeito da pequena casa do Espírito Santo que se arreda um pouco, envergonhada de tal desdém. Uma bela casa de dupla sacada de três janelas datada de 1850 dá-lhe uma presença fidalga. Vai-se vendo a passagem algumas quintas através de densa folhagem e junto ao mar, duas belas piscinas, perto do largo de Santo Antonio, fervilham de animação.
Chegando a S. Roque do Pico, com algumas casas de construção senhorial e o belo convento barroco de São Pedro de Alcântara de fachada extensa e bem implantada, enfrentando o mar.
S. Roque do Pico é o entreposto do Cais do Pico, bela enseada com extenso cais de acostagem, e onde existe a antiga fabrica de óleo de baleia. Subindo sempre, a estrada pende para o mar e em elevada postura dá para a admirar mais uma vez, dizendo-lhe adeus á bela vista da baia de S. Roque.
Dai vê-se na distancia a ponta do Mistério, que com o mistério da Prainha, o mistério da Silveira e o mistério de S. João são os mistérios mais em evidencia no Pico que não tem mistério nenhum, pois apenas são mantos de lava recente, de basalto olivinico, alguns dos quais estão na origem das fajãs ou de grandes tragédias. E já se chega á Prainha de Cima que antecede a Prainha de Baixo, com antigos e agradáveis edifícios e um local propicio a banhos de mar. A Igreja tem certa imponência com um frontão rematado a volutas entre as duas torres cônicas. Segue-se Santo Amaro, terra também crescida a beira-mar; e agora já se sobe de novo a estrada para ter vistas de arrepiar sobre os abismos tufados de verdura a perderem-se até ao mar em visões arrepiantes de beleza.
Chegando a Ribeirinha e logo depois á Piedade, com o belo Parque dos Serviços Florestais e do Desenvolvimento Agrário, é a Igreja de Nossa Senhora da Piedade, construída sobre as ruínas da anterior igreja destruída pelo tremor de terra de 1757 que chama a atenção. Uma boa cantaria de pedra basáltica reveste-lhe a fachada.
Está-se no extremo oriental da ilha que se vai dobrando, ao chegar a Fetais.
Já arribando a outra povoação portuária, Calheta do Nesquim, que foi porto importante na antiga pesca de baleia e onde em 1876 se procedeu ao primeiro «armamento» de caça ao cachalote.
A Igreja de S. Sebastião, erigida sobre a antiga seiscentista, de cúpulas caiadas em forma de cabaça, posta-se á beira-mar, parecendo abençoar a rampa que leva a água e de onde saiam as elegantes chalupas da pesca á baleia.
Ribeira Grande e Ribeira Seca despenhando-se pelas encostas sobranceiras ao mar, antecedem Santa Cruz das Ribeiras, cujas casas parecem também correr para o mar em abrigo da pequena baía e do ancoradouro, a acolher em abraço de carinhoso resguardo algumas traineiras de pesca. E logo por detrás de outro morro surge o porto das Lages do Pico, implantado em amena plataforma quase ao nível do mar, uma grande porção de água com duplo pontão para banho antecedendo o seu porto, que foi também importante centro baleeiro e ainda é um movimentado porto de pesca e de comercio. Casas de caracter antigo e velhos edifícios de larga fachada testemunham-lhe o passado de opulência e conferem-lhe o pendão de ter sido o primeiro local de povoamento.
A Igreja de Nossa Senhora da Conceição, na simetria habitual das suas torres sineiras, foi erguida na tradição da arquitectura açoriana setecentista, sobre capela mais antiga, mas mais exígua. Na orla da estrada, á direita, olhando o mar, implanta-se em boa presença de longa fachada o convento de S. Francisco.
Deixando a estrada circundante á costa para mergulhar no âmago da ilha, e chegar ao maior encontro desta jornada, a altiva montanha do Pico. Como se lhe fizessem proteção cerrada, as eternas ramas de neblina branca e cinzenta rodeiam-na em brios ciosos de esconderem a sua visão, como se fosse sacrilégio deparar com tal espetáculo de beleza, ou a vergonha de se mostrar despida a inibisse, vestindo-se de tal roupagem de céu velado, a cobrir-lhe a timidez do seu pudor. Vale sempre a pena esperar até o capricho do tempo descubra a montanha. E é então que o grande espetáculo acontece, a grande montanha do Pico deu uma ordem, resolveu ser generosa e mostrar-se ao intruso que ali estava á mercê, na submissão e resignada paciência de quantas horas fossem precisas. E pouco a pouco a nevoa foi-se atenuando, afastando-se para revelar finalmente a nudez daquele seio imenso, a transbordar de um corpete atapetado a musgão e urze. E é uma emoção sem paralelo que se sente. «Descobrindo Ilhas Descobertas» «o sol já tirou ao Pico o seu capuz emplumado e a descoberto ficaram, até a ponta que entra pelos arcanjos do céu, a pique as suas negras ravinas, as rugas e feridas de eterna velhice. Como inundação astral, polvilhada de oiro vivo, do Pico Alto a luz roxa vai.
assim, é que há-de ser para sempre, as tuas vontades são ordens... eu que o diga que já te tentei escalar e mandaste-me chuva e granizo num dilúvio de ma disposição... Vamos pois desta vez cá mais por baixo a descobrir-te calmamente nos teus domínios sem desafiar caractere tão sensível... E partindo da Madalena com um importante porto de acostar, já brindado pelos garridos grafitti dos veleiros e barcos de recreio que lhe vêem em demanda. A Madalena e uma vila agradável, com o seu moderno Hotel das Descobertas ao lado da Matriz novecentista, de torres aguçadas em competição com as duas aurocarias que se recatam por detrás. Distintas são algumas casas no debruço da muralha do antigo ancoradouro e porto de pesca, mas a casa de maior interesse de Madalena e a Câmara, seiscentista, com uma fabulosa pedra de armas em que se penduram na coroa das quinas, dois inesperados corvos. Pena é a pedra estar toda pintada de branco... Partindo pela esquerda na direcção de S. Roque do Pico, logo se começa a ver as vinhas bem cuidadas do verdelho «esta uva não tem sumo e só carne» (conforme comentava um tratador quando nos deu um cacho a provar) e onde alinham, indicadas por tabuletas, as diversas castas plantadas. Era dia de prova geral nas Bandeiras, povoação com uma igreja de certa imponência mas de modesta decoração na fachada, Nossa Senhora da Boa Nova, datada de 1860. Rumando para o Cachorro há procura do mar e vai-se notando com curiosidade que nesta ilha se encontra em abundancia o pinheiro bravo em desabono da criptomeria que, importada do Japão, é hoje em dia um dos ex-libris açorianos.
O Cachorro é terra antiga, bem assinalada pela sua capela decapitada, de pedra exibindo a vetusta data de 1687. De resto inúmeras casas na antracite da pedra vulcânica, dão-Ihe pergaminhos de beleza rupestre, coroada pelo intricado jogo dos rochedos cavernosos, vazados e em volutas de caprichos que ornam os diversos acessos ao apetite do mar.
Em Santa Luzia encontra-se a curiosa Igreja de S. Pedro, de torres assimétricas e de lá vê-se a linha branca do resves da água do aglomerado dos Arcos. E para lá do azul profundo a longa silhueta cinzenta da ilha de S. Jorge, Passando as pequenas povoações de Santana e S. Vicente, e em Santo Antonio a igreja surge importunada por uma casita que se lhe adoça sem cerimónia, a despeito da pequena casa do Espírito Santo que se arreda um pouco, envergonhada de tal desdém. Uma bela casa de dupla sacada de três janelas datada de 1850 dá-lhe uma presença fidalga. Vai-se vendo a passagem algumas quintas através de densa folhagem e junto ao mar, duas belas piscinas, perto do largo de Santo Antonio, fervilham de animação.
Chegando a S. Roque do Pico, com algumas casas de construção senhorial e o belo convento barroco de São Pedro de Alcântara de fachada extensa e bem implantada, enfrentando o mar.
S. Roque do Pico é o entreposto do Cais do Pico, bela enseada com extenso cais de acostagem, e onde existe a antiga fabrica de óleo de baleia. Subindo sempre, a estrada pende para o mar e em elevada postura dá para a admirar mais uma vez, dizendo-lhe adeus á bela vista da baia de S. Roque.
Dai vê-se na distancia a ponta do Mistério, que com o mistério da Prainha, o mistério da Silveira e o mistério de S. João são os mistérios mais em evidencia no Pico que não tem mistério nenhum, pois apenas são mantos de lava recente, de basalto olivinico, alguns dos quais estão na origem das fajãs ou de grandes tragédias. E já se chega á Prainha de Cima que antecede a Prainha de Baixo, com antigos e agradáveis edifícios e um local propicio a banhos de mar. A Igreja tem certa imponência com um frontão rematado a volutas entre as duas torres cônicas. Segue-se Santo Amaro, terra também crescida a beira-mar; e agora já se sobe de novo a estrada para ter vistas de arrepiar sobre os abismos tufados de verdura a perderem-se até ao mar em visões arrepiantes de beleza.
Chegando a Ribeirinha e logo depois á Piedade, com o belo Parque dos Serviços Florestais e do Desenvolvimento Agrário, é a Igreja de Nossa Senhora da Piedade, construída sobre as ruínas da anterior igreja destruída pelo tremor de terra de 1757 que chama a atenção. Uma boa cantaria de pedra basáltica reveste-lhe a fachada.
Está-se no extremo oriental da ilha que se vai dobrando, ao chegar a Fetais.
Já arribando a outra povoação portuária, Calheta do Nesquim, que foi porto importante na antiga pesca de baleia e onde em 1876 se procedeu ao primeiro «armamento» de caça ao cachalote.
A Igreja de S. Sebastião, erigida sobre a antiga seiscentista, de cúpulas caiadas em forma de cabaça, posta-se á beira-mar, parecendo abençoar a rampa que leva a água e de onde saiam as elegantes chalupas da pesca á baleia.
Ribeira Grande e Ribeira Seca despenhando-se pelas encostas sobranceiras ao mar, antecedem Santa Cruz das Ribeiras, cujas casas parecem também correr para o mar em abrigo da pequena baía e do ancoradouro, a acolher em abraço de carinhoso resguardo algumas traineiras de pesca. E logo por detrás de outro morro surge o porto das Lages do Pico, implantado em amena plataforma quase ao nível do mar, uma grande porção de água com duplo pontão para banho antecedendo o seu porto, que foi também importante centro baleeiro e ainda é um movimentado porto de pesca e de comercio. Casas de caracter antigo e velhos edifícios de larga fachada testemunham-lhe o passado de opulência e conferem-lhe o pendão de ter sido o primeiro local de povoamento.
A Igreja de Nossa Senhora da Conceição, na simetria habitual das suas torres sineiras, foi erguida na tradição da arquitectura açoriana setecentista, sobre capela mais antiga, mas mais exígua. Na orla da estrada, á direita, olhando o mar, implanta-se em boa presença de longa fachada o convento de S. Francisco.
Deixando a estrada circundante á costa para mergulhar no âmago da ilha, e chegar ao maior encontro desta jornada, a altiva montanha do Pico. Como se lhe fizessem proteção cerrada, as eternas ramas de neblina branca e cinzenta rodeiam-na em brios ciosos de esconderem a sua visão, como se fosse sacrilégio deparar com tal espetáculo de beleza, ou a vergonha de se mostrar despida a inibisse, vestindo-se de tal roupagem de céu velado, a cobrir-lhe a timidez do seu pudor. Vale sempre a pena esperar até o capricho do tempo descubra a montanha. E é então que o grande espetáculo acontece, a grande montanha do Pico deu uma ordem, resolveu ser generosa e mostrar-se ao intruso que ali estava á mercê, na submissão e resignada paciência de quantas horas fossem precisas. E pouco a pouco a nevoa foi-se atenuando, afastando-se para revelar finalmente a nudez daquele seio imenso, a transbordar de um corpete atapetado a musgão e urze. E é uma emoção sem paralelo que se sente. «Descobrindo Ilhas Descobertas» «o sol já tirou ao Pico o seu capuz emplumado e a descoberto ficaram, até a ponta que entra pelos arcanjos do céu, a pique as suas negras ravinas, as rugas e feridas de eterna velhice. Como inundação astral, polvilhada de oiro vivo, do Pico Alto a luz roxa vai.
Ilha do Pico breve Historia
O Pico, segunda maior ilha do Arquipélago dos Açores, está localizada a oeste de Portugal Continental, aqui, encontra-se a o ponto culminante do território português, o pico do Pico com 2351 metros de altitude. A ilha tem 447 km2 de superficie, 42 km de comprimento e 15,2 km de largura máxima.
A sua descoberta não é conhecida, no entanto, o seu povoamento iniciou-se por volta de 1480 com portugueses vindo do norte de Portugal Continental no concelho das Lajes do Pico.A Ilha do Pico tem 3 concelhos: São Roque do Pico, Madalena do Pico e Lajes do Pico. O primeiro concelho a ser povoado é as Lajes, à qual se segue a de São Roque, em 1542. Em 1723 a Madalena é elevada a vila. Habitada apenas por 20 000 pessoas, torna esta ilha única no seu habitat, nomeadamente nas suas grutas, lagoas, portos marítimos e piscinas naturais. A subida à montanha é a maior de todas as atracções. Lá do cimo avistam-se as ilhas de São Jorge, Graciosa, Terceira, Flores e Corvo.
Desde de cedo a ilha do Pico afirmou-se como importante local de comércio derivado ao seu porto que faz a ligação com Faial e por onde se realizava o comércio com o exterior. Também como produtor de vinho, visto ser local de residência dos proprietários dos imensos vinhedos da zona, já então produtora de vinho.As suas terras foram lavradas e exploradas e onde outrora se encontravam biscoitos e mata, encontramos agora, transformada pelo ardo trabalho dos seus habitantes, em pomares e vinhedo, donde vem o verdelho do Pico que durante mais de duas centenas de anos, atingiu fama internacional, sendo apreciado em vários países como é o caso da Inglaterra, América e Rússia.Em meados do séc. XIX, a ilha do Pico é atacada e são destruídas as vinhas. A recuperação é lenta e faz-se à base de novos bacelos.Não menos importante temos a presença dos baleeiros americanos nas águas dos Açores nos finais do séc. XVIII, que acabaram por introduzir um novo pólo de actividade na ilha, que ainda hoje pode ser recordado no Museu dos Baleeiros.O Pico é hoje, uma ilha de visita obrigatória para todos os que gostam da natureza.
O seu primeiro capitão donatário foi Álvaro de Ornelas, que não chegou a tomar posse efectiva da ilha, pelo que veio a ser incorporada na capitania do Faial. .Inicialmente voltada para a cultura do trigo e um pouco para a exploração do pastel, planta tintureira exportada para a Flandres, por influência da vizinha ilha do Faial, em breve a população dedica-se também à cultura da vinha e à pesca. Segue-se um largo período praticamente à margem da história, interrompido no séc. XVIII por importantes erupções vulcânicas.Confirmando a sua importância económica como porto de ligação com o Faial, por onde se realiza o comércio com o exterior, e também como local de residência dos proprietários dos imensos vinhedos da zona, já então produtora de vinho. A custa de árduo labor os campos de lava transformam-se em pomares e vinhedos. O verdelho do Pico tem, durante mais de duas centenas de anos, fama internacional, sendo apreciado em vários países, nomeadamente na Inglaterra. Américas e Rússia, onde chegava à mesa dos czares. O ataque do oídio, em meados do séc. XIX, destrói as vinhas. A recuperação é lenta e faz-se à base de novas castas.
A sua descoberta não é conhecida, no entanto, o seu povoamento iniciou-se por volta de 1480 com portugueses vindo do norte de Portugal Continental no concelho das Lajes do Pico.A Ilha do Pico tem 3 concelhos: São Roque do Pico, Madalena do Pico e Lajes do Pico. O primeiro concelho a ser povoado é as Lajes, à qual se segue a de São Roque, em 1542. Em 1723 a Madalena é elevada a vila. Habitada apenas por 20 000 pessoas, torna esta ilha única no seu habitat, nomeadamente nas suas grutas, lagoas, portos marítimos e piscinas naturais. A subida à montanha é a maior de todas as atracções. Lá do cimo avistam-se as ilhas de São Jorge, Graciosa, Terceira, Flores e Corvo.
Desde de cedo a ilha do Pico afirmou-se como importante local de comércio derivado ao seu porto que faz a ligação com Faial e por onde se realizava o comércio com o exterior. Também como produtor de vinho, visto ser local de residência dos proprietários dos imensos vinhedos da zona, já então produtora de vinho.As suas terras foram lavradas e exploradas e onde outrora se encontravam biscoitos e mata, encontramos agora, transformada pelo ardo trabalho dos seus habitantes, em pomares e vinhedo, donde vem o verdelho do Pico que durante mais de duas centenas de anos, atingiu fama internacional, sendo apreciado em vários países como é o caso da Inglaterra, América e Rússia.Em meados do séc. XIX, a ilha do Pico é atacada e são destruídas as vinhas. A recuperação é lenta e faz-se à base de novos bacelos.Não menos importante temos a presença dos baleeiros americanos nas águas dos Açores nos finais do séc. XVIII, que acabaram por introduzir um novo pólo de actividade na ilha, que ainda hoje pode ser recordado no Museu dos Baleeiros.O Pico é hoje, uma ilha de visita obrigatória para todos os que gostam da natureza.
O seu primeiro capitão donatário foi Álvaro de Ornelas, que não chegou a tomar posse efectiva da ilha, pelo que veio a ser incorporada na capitania do Faial. .Inicialmente voltada para a cultura do trigo e um pouco para a exploração do pastel, planta tintureira exportada para a Flandres, por influência da vizinha ilha do Faial, em breve a população dedica-se também à cultura da vinha e à pesca. Segue-se um largo período praticamente à margem da história, interrompido no séc. XVIII por importantes erupções vulcânicas.Confirmando a sua importância económica como porto de ligação com o Faial, por onde se realiza o comércio com o exterior, e também como local de residência dos proprietários dos imensos vinhedos da zona, já então produtora de vinho. A custa de árduo labor os campos de lava transformam-se em pomares e vinhedos. O verdelho do Pico tem, durante mais de duas centenas de anos, fama internacional, sendo apreciado em vários países, nomeadamente na Inglaterra. Américas e Rússia, onde chegava à mesa dos czares. O ataque do oídio, em meados do séc. XIX, destrói as vinhas. A recuperação é lenta e faz-se à base de novas castas.
As Placas tectonicas
A teoria que os continentes não estiveram sempre nas suas posições actuais, foi conjecturada muito antes do século vinte; este modelo foi sugerido, pela primeira vez, em 1596 por um fabricante holandês, Abraham Ortelius. Ortelius sugeriu de que as Américas " foram rasgadas e afastadas da Europa e África por terramotos e inundações " e acrescentou: " os vestígios da ruptura revelam-se, se alguém trouxer para a sua frente um mapa do mundo e observar com cuidado as costas dos três continentes." A idéia de Ortelius foi retomada no século dezanove. Entretanto, só em 1912 é que a idéia do movimento dos continentes foi seriamente considerada como uma teoria científica designada por Deriva dos Continentes, escrita em dois artigos publicados por um meteorologista alemão chamado Alfred Lothar Wegener. Argumentou que, há cerca de 200 milhões de anos, havia um supercontinente - Pangeia=Pangea - que começou a fracturar-se. Alexander Du Toit, professor de geologia na Universidade de Joanesburgo e um dos defensores mais acérrimos das ideias de Wegener, propôs que a Pangeia, primeiro, se dividiu em dois grandes continentes, a Laurásia no hemisfério norte e a Gondwana no hemisfério sul. Laurásia e Gondwana continuaram então a fracturar-se, ao longo dos tempos, dando origem aos vários continentes que existem hoje.A teoria de Wegener foi apoiada em parte por aquilo que lhe pareceu ser o ajuste notável dos continentes americanos e africanos do sul, argumento utilizado por Abraham Ortelius três séculos antes. Wegener também estava intrigado com as ocorrências de estruturas geológicas pouco comuns e dos fósseis de plantas e animais encontrados na América do Sul e África, que estão separados actualmente pelo Oceano Atlântico. Deduziu que era fisicamente impossível para a maioria daqueles organismos ter nadado ou ter sido transportado através de um oceano tâo vasto. Para ele, a presença de espécies fósseis idênticas ao longo das costas litorais de África e América do Sul eram a evidência que faltava para demonstrar que, uma vez, os dois continentes estiveram ligados. Segundo Wegener, a Deriva dos Continentes após a fracturação da Pangeia explicava não só as ocorrências fósseis, mas também as evidências de mudanças dramáticas do clima em alguns continentes. Por exemplo, a descoberta de fósseis de plantas tropicais (na formação de depósitos de carvão) na Antárctida conduziu à conclusão que este continente, actualmente coberto de gelo, já esteve situada perto do equador, com um clima temperado onde a vegetação luxuriante poderia desenvolver-se. Do mesmo modo que os fósseis característicos de fetos (Glossopteris) descobertos em regiões agora polares, e a ocorrência de depósitos glaciários em regiões áridas de África , tal como o Vaal River Valley na África do sul, foram argumentos factuais invocados a favor da teoria da Deriva dos Continentes.
A teoria da Deriva Continental transformar-se-ia na "bomba" que explodiu na comunidade científica da época, de tal modo fez surgir uma nova maneira de ver a Terra. Contudo, apesar das evidências, a proposta de Wegener não foi tão bem recebida, pela comunidade científica, como se possa pensar, embora estivesse, em grande parte, de acordo com a informação científica disponível, naquele tempo. Uma fraqueza fatal na teoria de Wegener era o facto de não poder responder satisfatoriamente à pergunta mais importante levantada pelos seus críticos: que tipo de forças podia ser tão forte para mover massas de rocha contínua tão grandes ao longo de tais distâncias tão grandes? Wegener sugeriu que os continentes se separavam através do fundo do oceano, mas Harold Jeffreys, um geofísico inglês notável, contra-argumentou, de modo científico, que era fisicamente impossível para uma massa de rocha contínua tão grande separar-se através do fundo oceânico sem se fragmentar na totalidade. Entretanto, após a morte de Wegener, em 1930, novas evidências a partir da exploração dos fundos oceânicos, bem como outros estudos geológicos e geofísicos reacenderam o interesse pela teoria de Wegener, conduzindo finalmente ao desenvolvimento da teoria da Tectónica de Placas.A Tectónica de Placas provou ser tão importante para as ciências de terra como a descoberta da estrutura do átomo foi para a Física e Química, assim como a Teoria da Evolução foi para as Ciências da Vida. Embora, actualmente, a teoria da Tectónica de Placas seja aceite pela comunidade científica, existem várias vertentes da teoria que continuam a serem debatidas.
Em termos geológicos, uma placa é uma "grande laje", formada por rochas rígidas. O termo tectónica vem da raiz grega " construir." Unindo estas duas palavras, passamos a ter tectónica de placas, o que quer dizer que a superfície da terra é construída por placas. A teoria da tectónica de placas diz-nos que a camada superficial da terra (litosfera) (Ver Tema Estrutura da Terra) está fragmentada numa meia dúzia de placas maiores, e algumas outras menores, que estão em movimento relativo umas em conexão com as outras, enquanto assentam sobre uma camada estrutural mais quente, menos rígida e mais móvel (astenosfera). A tectónica de placas é um conceito científico relativamente recente, introduzido há cerca de 40 anos, que revolucionou a nossa compreensão do planeta dinâmico ("Vivo") em cima do qual nós vivemos. A teoria globaliza o estudo da terra recorrendo a muitos dos domínios das Ciências da Terra, desde a Paleontologia (o estudo dos fósseis) á Sismologia (o estudo dos terramotos). Forneceu explicações às perguntas sobre as quais os cientistas especularam durante séculos, tais como: porque é que os terramotos e as erupções vulcânicas ocorrem em áreas muito específicas do globo terrestre, e como é que as grandes montanhas como os Alpes e os Himalaias se formaram?
A Tectónica de Placas é aceite actualmente de forma quase universal, os seus mecanismos são plausíveis e com bastantes demonstrações. Entretanto, muitos detalhes dos mecanismos terão ainda que serem comprovados, e algumas teorias que envolvem vários detalhes da tectónica de placas são bastante questionáveis. Vamos tentar definir alguns dos princípios básicos do mecanismo global, e examinar seu efeito na criação das terras continentais.O que se segue não é um sumário do pensamento actual sobre a tectónica de placas e os seus mecanismos; frequentemente, novas, e provavelmente controversas, idéias são apresentadas à consideração dos cientistas. O que vamos apresentar é uma exposição simples dos princípios básicos que devem reger os movimentos das placas, algumas hipóteses sobre os mecanismos de convexão, o transporte dos continentes e a sua "reciclagem", bem como alguns cenários previstos para os eventos passados e futuros da tectónica de placas.
Aproximadamente dois terços da superfície da terra encontram-se abaixo dos oceanos. Antes do século 19, as profundidades dos oceanos eram matéria de pura especulação, e a maioria das pessoas pensavam que o fundo dos oceanos era relativamente liso e sem quaisquer aspectos relevantes. A exploração oceânica, durante os tempos seguintes, melhorou profundamente o nosso conhecimento sobre os fundos dos oceanos e a sua expansão. Nós sabemos agora que a maioria dos processos geológicos que ocorrem na terra estão ligados, diretamente ou indiretamente, à dinâmica dos fundos oceânicos.
Em 1947, os sismologistas que se encontravam no navio de pesquisa Atlantis dos E. U. A. descobriram que a camada de sedimento no fundo do Oceano Atlântico era muito mais fina do que pensavam inicialmente. Os cientistas acreditavam que os oceanos existiam, pelo menos, há 4 bilhões de anos, logo a camada de sedimento deveria de ser muito espessa. Porque é que havia tão pouca acumulação de sedimento e de restos e fragmentos sedimentares no fundo do oceano? A resposta a esta e outras perguntas, que surgiram após uma exploração mais pormenorizada e avançada, provaria ser vital para o surgimento do conceito de tectónica de placas. No início dos anos de 1950, os cientistas, usando instrumentos de medida do magnetismo (magnetômetros), começaram a reconhecer variações magnéticas impares através do fundo dos oceanos. Esta descoberta, embora inesperada, não foi inteiramente surpreendente porque se sabia que o basalto -- uma rocha vulcânica rica em ferro e que faz parte dos fundos dos oceanos -- contêm um mineral fortemente magnético (magnetite), que pode localmente obrigar à distorção das leituras da bússola. Sabendo que a presença da magnetite dá ao basalto propriedades magnéticas mensuráveis, estas variações magnéticas, recentemente descobertas, forneceram novos meios para o estudo dos fundos dos oceanos profundos.
Como, durante os anos das décadas de 1950 e 60, foram sendo traçados mais mapas das anomalias magnéticas dos fundos oceânicos, logo mais informação, ficou provado que as variações magnéticas não eram aleatórias mas obedeciam a padrões determinados. Quando estes padrões magnéticos foram traçados sobre grandes regiões, o fundo do oceano apresentou um padrão do tipo “zebra” (Ver figura da página anterior-formação da banda de anomalias magnéticas-). As bandas alternas de diferente polaridade magnética estavam colocadas, do lado de fora, em faixas, de um e do outro lado da crista médio-oceânica (meso-oceânica): uma faixa com polaridade normal e a faixa adjacente com polaridade invertida. O teste padrão total, definido por estas faixas alternadas de rocha magnetizada com polarização normal e inversa, tornou-se conhecido como o “listado” magnético.
A descoberta do “listado” magnético alertou, naturalmente, para mais perguntas: como se forma o teste padrão magnético do “listado”? E por que são as faixas simétricas em torno das cristas ou dorsais médio-oceânicos? Estas perguntas não poderiam ser respondidas sem se saber o significado destas dorsais. Em 1961, os cientistas começaram a teorizar sobre a estrutura das zonas das dorsais da crista médio-oceânica onde o fundo oceânico era rasgado em dois, longitudinalmente, ao longo da crista. O magma novo, proveniente de grandes profundidades da terra, subia facilmente, ao longo destas zonas de fraqueza, e era expelido ao longo da crista, criando uma crusta oceânica nova. Este processo, operando durante muitos milhões de anos construiu o sistema de 50.000 quilómetros ao longo das cristas ou dorsais médio-oceânicos. Esta hipótese era suportada por diversas linhas da evidência: (1) junto da crista, as rochas são muito novas, e tornam-se progressivamente mais velhas quando afastadas da crista; (2) a rocha, mais nova, junto à crista, tem sempre uma polaridade (normal) actual; e (3) as “listas” das rochas paralelas e simétricas à crista alternam na polaridade magnética (normal-invertida-normal, etc.), sugerindo que o campo magnético da terra se inverteu muitas vezes.
A evidência adicional da expansão do fundo oceânico veio de uma fonte inesperada, a exploração do petróleo ao longo das margens continentais, nas plataformas marinhas. Quando as idades das amostras foram determinadas por métodos de datação paleontológica e isotópica (datação radiométrica - "absoluta"- ver Tempo Geológico), forneceram a evidência que faltava para provar a hipótese da expansão dos fundos oceânicos. Uma consequência profunda da expansão dos fundos oceânicos seria que a nova crusta oceânica, sendo, continuamente, criada ao longo das cristas oceânicas, implicava um grande aumento no tamanho da terra desde a sua formação. A maioria de geólogos sabem que a terra mudou pouco no tamanho desde sua formação há 4,6 bilhões de anos, levantando uma pergunta chave: como pode a nova crusta oceânica ser adicionada, continuamente, ao longo das cristas oceânicas sem aumentar o tamanho da terra? Esta pergunta intrigou, particularmente, Harry H. Hess e Robert S. Dietz. Hess formulou o raciocínio seguinte: se a crusta oceânica se expandia ao longo das cristas oceânicas, ela tinha de ser "consumida" noutros lugares da terra. Deste modo, sugeriu que a nova crusta oceânica espalhou-se, continuamente, afastada das cristas, segundo um movimento de transporte do tipo "correia". Milhões de anos mais tarde, a crusta oceânica desce, eventualmente, nas fossas oceânicas, onde seria "consumida". De acordo com Hess, enquanto o Oceano Atlântico estava a expandir-se o Oceano Pacífico estava a contrair-se. Assim, as ideias de Hess, davam uma explicação clara porque a terra não aumentava de tamanho.
Durante o século 20, os cientistas chegaram à conclusão que os sismos (tremores de terra) tendem a concentrar-se em determinadas áreas, ao longo das fossas e das cristas oceânicas. Os sismologistas, começaram a identificar diversas zonas proeminentes dos tremores de terra. Estas zonas tornaram-se, mais tarde, conhecidas como zonas de Wadati-Benioff, ou simplesmente zonas de Benioff . Os dados permitiram que os sismologistas traçassem com precisão as zonas de concentração dos sismos de todo o planeta Terra.
A teoria da Deriva Continental transformar-se-ia na "bomba" que explodiu na comunidade científica da época, de tal modo fez surgir uma nova maneira de ver a Terra. Contudo, apesar das evidências, a proposta de Wegener não foi tão bem recebida, pela comunidade científica, como se possa pensar, embora estivesse, em grande parte, de acordo com a informação científica disponível, naquele tempo. Uma fraqueza fatal na teoria de Wegener era o facto de não poder responder satisfatoriamente à pergunta mais importante levantada pelos seus críticos: que tipo de forças podia ser tão forte para mover massas de rocha contínua tão grandes ao longo de tais distâncias tão grandes? Wegener sugeriu que os continentes se separavam através do fundo do oceano, mas Harold Jeffreys, um geofísico inglês notável, contra-argumentou, de modo científico, que era fisicamente impossível para uma massa de rocha contínua tão grande separar-se através do fundo oceânico sem se fragmentar na totalidade. Entretanto, após a morte de Wegener, em 1930, novas evidências a partir da exploração dos fundos oceânicos, bem como outros estudos geológicos e geofísicos reacenderam o interesse pela teoria de Wegener, conduzindo finalmente ao desenvolvimento da teoria da Tectónica de Placas.A Tectónica de Placas provou ser tão importante para as ciências de terra como a descoberta da estrutura do átomo foi para a Física e Química, assim como a Teoria da Evolução foi para as Ciências da Vida. Embora, actualmente, a teoria da Tectónica de Placas seja aceite pela comunidade científica, existem várias vertentes da teoria que continuam a serem debatidas.
Em termos geológicos, uma placa é uma "grande laje", formada por rochas rígidas. O termo tectónica vem da raiz grega " construir." Unindo estas duas palavras, passamos a ter tectónica de placas, o que quer dizer que a superfície da terra é construída por placas. A teoria da tectónica de placas diz-nos que a camada superficial da terra (litosfera) (Ver Tema Estrutura da Terra) está fragmentada numa meia dúzia de placas maiores, e algumas outras menores, que estão em movimento relativo umas em conexão com as outras, enquanto assentam sobre uma camada estrutural mais quente, menos rígida e mais móvel (astenosfera). A tectónica de placas é um conceito científico relativamente recente, introduzido há cerca de 40 anos, que revolucionou a nossa compreensão do planeta dinâmico ("Vivo") em cima do qual nós vivemos. A teoria globaliza o estudo da terra recorrendo a muitos dos domínios das Ciências da Terra, desde a Paleontologia (o estudo dos fósseis) á Sismologia (o estudo dos terramotos). Forneceu explicações às perguntas sobre as quais os cientistas especularam durante séculos, tais como: porque é que os terramotos e as erupções vulcânicas ocorrem em áreas muito específicas do globo terrestre, e como é que as grandes montanhas como os Alpes e os Himalaias se formaram?
A Tectónica de Placas é aceite actualmente de forma quase universal, os seus mecanismos são plausíveis e com bastantes demonstrações. Entretanto, muitos detalhes dos mecanismos terão ainda que serem comprovados, e algumas teorias que envolvem vários detalhes da tectónica de placas são bastante questionáveis. Vamos tentar definir alguns dos princípios básicos do mecanismo global, e examinar seu efeito na criação das terras continentais.O que se segue não é um sumário do pensamento actual sobre a tectónica de placas e os seus mecanismos; frequentemente, novas, e provavelmente controversas, idéias são apresentadas à consideração dos cientistas. O que vamos apresentar é uma exposição simples dos princípios básicos que devem reger os movimentos das placas, algumas hipóteses sobre os mecanismos de convexão, o transporte dos continentes e a sua "reciclagem", bem como alguns cenários previstos para os eventos passados e futuros da tectónica de placas.
Aproximadamente dois terços da superfície da terra encontram-se abaixo dos oceanos. Antes do século 19, as profundidades dos oceanos eram matéria de pura especulação, e a maioria das pessoas pensavam que o fundo dos oceanos era relativamente liso e sem quaisquer aspectos relevantes. A exploração oceânica, durante os tempos seguintes, melhorou profundamente o nosso conhecimento sobre os fundos dos oceanos e a sua expansão. Nós sabemos agora que a maioria dos processos geológicos que ocorrem na terra estão ligados, diretamente ou indiretamente, à dinâmica dos fundos oceânicos.
Em 1947, os sismologistas que se encontravam no navio de pesquisa Atlantis dos E. U. A. descobriram que a camada de sedimento no fundo do Oceano Atlântico era muito mais fina do que pensavam inicialmente. Os cientistas acreditavam que os oceanos existiam, pelo menos, há 4 bilhões de anos, logo a camada de sedimento deveria de ser muito espessa. Porque é que havia tão pouca acumulação de sedimento e de restos e fragmentos sedimentares no fundo do oceano? A resposta a esta e outras perguntas, que surgiram após uma exploração mais pormenorizada e avançada, provaria ser vital para o surgimento do conceito de tectónica de placas. No início dos anos de 1950, os cientistas, usando instrumentos de medida do magnetismo (magnetômetros), começaram a reconhecer variações magnéticas impares através do fundo dos oceanos. Esta descoberta, embora inesperada, não foi inteiramente surpreendente porque se sabia que o basalto -- uma rocha vulcânica rica em ferro e que faz parte dos fundos dos oceanos -- contêm um mineral fortemente magnético (magnetite), que pode localmente obrigar à distorção das leituras da bússola. Sabendo que a presença da magnetite dá ao basalto propriedades magnéticas mensuráveis, estas variações magnéticas, recentemente descobertas, forneceram novos meios para o estudo dos fundos dos oceanos profundos.
Como, durante os anos das décadas de 1950 e 60, foram sendo traçados mais mapas das anomalias magnéticas dos fundos oceânicos, logo mais informação, ficou provado que as variações magnéticas não eram aleatórias mas obedeciam a padrões determinados. Quando estes padrões magnéticos foram traçados sobre grandes regiões, o fundo do oceano apresentou um padrão do tipo “zebra” (Ver figura da página anterior-formação da banda de anomalias magnéticas-). As bandas alternas de diferente polaridade magnética estavam colocadas, do lado de fora, em faixas, de um e do outro lado da crista médio-oceânica (meso-oceânica): uma faixa com polaridade normal e a faixa adjacente com polaridade invertida. O teste padrão total, definido por estas faixas alternadas de rocha magnetizada com polarização normal e inversa, tornou-se conhecido como o “listado” magnético.
A descoberta do “listado” magnético alertou, naturalmente, para mais perguntas: como se forma o teste padrão magnético do “listado”? E por que são as faixas simétricas em torno das cristas ou dorsais médio-oceânicos? Estas perguntas não poderiam ser respondidas sem se saber o significado destas dorsais. Em 1961, os cientistas começaram a teorizar sobre a estrutura das zonas das dorsais da crista médio-oceânica onde o fundo oceânico era rasgado em dois, longitudinalmente, ao longo da crista. O magma novo, proveniente de grandes profundidades da terra, subia facilmente, ao longo destas zonas de fraqueza, e era expelido ao longo da crista, criando uma crusta oceânica nova. Este processo, operando durante muitos milhões de anos construiu o sistema de 50.000 quilómetros ao longo das cristas ou dorsais médio-oceânicos. Esta hipótese era suportada por diversas linhas da evidência: (1) junto da crista, as rochas são muito novas, e tornam-se progressivamente mais velhas quando afastadas da crista; (2) a rocha, mais nova, junto à crista, tem sempre uma polaridade (normal) actual; e (3) as “listas” das rochas paralelas e simétricas à crista alternam na polaridade magnética (normal-invertida-normal, etc.), sugerindo que o campo magnético da terra se inverteu muitas vezes.
A evidência adicional da expansão do fundo oceânico veio de uma fonte inesperada, a exploração do petróleo ao longo das margens continentais, nas plataformas marinhas. Quando as idades das amostras foram determinadas por métodos de datação paleontológica e isotópica (datação radiométrica - "absoluta"- ver Tempo Geológico), forneceram a evidência que faltava para provar a hipótese da expansão dos fundos oceânicos. Uma consequência profunda da expansão dos fundos oceânicos seria que a nova crusta oceânica, sendo, continuamente, criada ao longo das cristas oceânicas, implicava um grande aumento no tamanho da terra desde a sua formação. A maioria de geólogos sabem que a terra mudou pouco no tamanho desde sua formação há 4,6 bilhões de anos, levantando uma pergunta chave: como pode a nova crusta oceânica ser adicionada, continuamente, ao longo das cristas oceânicas sem aumentar o tamanho da terra? Esta pergunta intrigou, particularmente, Harry H. Hess e Robert S. Dietz. Hess formulou o raciocínio seguinte: se a crusta oceânica se expandia ao longo das cristas oceânicas, ela tinha de ser "consumida" noutros lugares da terra. Deste modo, sugeriu que a nova crusta oceânica espalhou-se, continuamente, afastada das cristas, segundo um movimento de transporte do tipo "correia". Milhões de anos mais tarde, a crusta oceânica desce, eventualmente, nas fossas oceânicas, onde seria "consumida". De acordo com Hess, enquanto o Oceano Atlântico estava a expandir-se o Oceano Pacífico estava a contrair-se. Assim, as ideias de Hess, davam uma explicação clara porque a terra não aumentava de tamanho.
Durante o século 20, os cientistas chegaram à conclusão que os sismos (tremores de terra) tendem a concentrar-se em determinadas áreas, ao longo das fossas e das cristas oceânicas. Os sismologistas, começaram a identificar diversas zonas proeminentes dos tremores de terra. Estas zonas tornaram-se, mais tarde, conhecidas como zonas de Wadati-Benioff, ou simplesmente zonas de Benioff . Os dados permitiram que os sismologistas traçassem com precisão as zonas de concentração dos sismos de todo o planeta Terra.
Vulcões nos Açores
Dado o seu enquadramento geotectónico, a região dos Açores apresenta uma importante actividade vulcânica e uma notável sismicidade, bem documentadas nos acervos históricos disponíveis desde a descoberta e povoamento das ilhas, em meados do século XV. Um total de 26 erupções vulcânicas estão reportadas para o arquipélago dos Açores, 12 das quais dizem respeito a erupções subaéreas, nas ilhas São Miguel, Terceira, São Jorge, Pico e Faial, na sua grande maioria de natureza básica e predominantemente efusivas. As erupções subaéreas ocorridas na ilha de São Miguel em 1439(?), nas Sete Cidades, em 1563, na caldeira da Lagoa do Fogo e as erupções de 1444(?) e de 1630, localizadas na caldeira das Furnas, foram todas de natureza ácida, com características explosivas. Os últimos eventos eruptivos importantes ocorridos nos Açores foram de natureza submarina e basáltica s.l.. Incluem a erupção dos Capelinhos, em 1957/58, na extremidade ocidental da ilha do Faial e a erupção do “Vulcão Oceânico da Serreta”, em 1998/2000, a cerca de 8,5 km para NW da Ponta da Serreta, ao largo da ilha Terceira.
A distribuição geográfica dos centros eruptivos históricos permite evidenciar uma certa tendência de crescimento das ilhas para ocidente e define, grosso modo, as principais fracturas que afectam a região dos Açores, nomeadamente o Rifte da Terceira e a Zona de Fractura Faial-Pico. De igual forma, a distribuição da idade máxima de cada uma das ilha sparece mostrar que, em termos gerais, as ilhas mais afastadas da Crista Médio Atlântica são as mais antigas. Neste contexto, a ilha de Santa Maria apresenta-se como a mais antiga do arquipélago (com 8,12 milhões de anos) e, pelo contrário, a ilha do Pico é a mais jovem dos Açores, com cerca de 250000 anos.
Para além dos episódios vulcânicos ocorridos em tempos históricos, existem diversas manifestações secundárias de vulcanismo nalgumas ilhas dos Açores, expressas quer como nascentes termais, quer como fumarolas e emanações gasosas difusas em solos, nas ilhas de São Miguel, Terceira, Graciosa, Faial, Pico e Flores. Para além destas ocorrências subaéreas há a reportar, também, o importante campo fumarólico localizado no Banco D. João de Castro, um monte submarino implantado entre as ilhas Terceira e São Miguel (38º 13’ 16” Lat.N – 26º 36’ 07” Long.W), o qual, com um topo à profundidade de 12 m, constitui um importante vulcão activo dos Açores.
A distribuição geográfica dos centros eruptivos históricos permite evidenciar uma certa tendência de crescimento das ilhas para ocidente e define, grosso modo, as principais fracturas que afectam a região dos Açores, nomeadamente o Rifte da Terceira e a Zona de Fractura Faial-Pico. De igual forma, a distribuição da idade máxima de cada uma das ilha sparece mostrar que, em termos gerais, as ilhas mais afastadas da Crista Médio Atlântica são as mais antigas. Neste contexto, a ilha de Santa Maria apresenta-se como a mais antiga do arquipélago (com 8,12 milhões de anos) e, pelo contrário, a ilha do Pico é a mais jovem dos Açores, com cerca de 250000 anos.
Para além dos episódios vulcânicos ocorridos em tempos históricos, existem diversas manifestações secundárias de vulcanismo nalgumas ilhas dos Açores, expressas quer como nascentes termais, quer como fumarolas e emanações gasosas difusas em solos, nas ilhas de São Miguel, Terceira, Graciosa, Faial, Pico e Flores. Para além destas ocorrências subaéreas há a reportar, também, o importante campo fumarólico localizado no Banco D. João de Castro, um monte submarino implantado entre as ilhas Terceira e São Miguel (38º 13’ 16” Lat.N – 26º 36’ 07” Long.W), o qual, com um topo à profundidade de 12 m, constitui um importante vulcão activo dos Açores.
Sismos nos Açores
O Arquipélago dos Açores apresenta uma sismicidade importante no contexto nacional, associada quer à tectónica activa dos Açores, quer à actividade vulcânica ocorrida, visto esta última ter sido antecedida e acompanhada de sismos,por vezes numerosos. Refira-se a
propósito que, na dependência directa das erupções vulcânicas que ocorreram no arquipélago dos Açores nos últimos cinco séculos, terão sido vitimadas cerca de 240 pessoas, enquanto que 5345 a 6350 pessoas terão perdido a vida devido a abalos sísmicos ocorridos no mesmo período de tempo.
A actividade sísmica de natureza tectónica, isto é, a associada às principais falhas activas existentes na Região dos Açores (a uma escala regional ou local), manifesta-se usualmente sob a forma de um elevado número de microssismos (e.g. sismos de magnitude inferior a 3) registados anualmente na rede sísmica do arquipélago, ocasionalmente sob a forma de enxames sísmicos. Periodicamente, contudo, as ilhas dos Açores são sacudidas por sismos moderados a fortes, mais energéticos, os quais afectam uma ou mais ilhas do arquipélago e causam destruições e impactes económicos significativos. Após 1947, as principais crises sísmicas que afectaram os Açores traduzem-se pelos “picos” de sismicidade nos anos de 1958 (Capelinhos, Faial), 1964 (São Jorge), 1973/74 (Pico), 1980 (Terceira), 1988/89 (São Miguel e Graciosa) e 1998 (Faial).
propósito que, na dependência directa das erupções vulcânicas que ocorreram no arquipélago dos Açores nos últimos cinco séculos, terão sido vitimadas cerca de 240 pessoas, enquanto que 5345 a 6350 pessoas terão perdido a vida devido a abalos sísmicos ocorridos no mesmo período de tempo.
A actividade sísmica de natureza tectónica, isto é, a associada às principais falhas activas existentes na Região dos Açores (a uma escala regional ou local), manifesta-se usualmente sob a forma de um elevado número de microssismos (e.g. sismos de magnitude inferior a 3) registados anualmente na rede sísmica do arquipélago, ocasionalmente sob a forma de enxames sísmicos. Periodicamente, contudo, as ilhas dos Açores são sacudidas por sismos moderados a fortes, mais energéticos, os quais afectam uma ou mais ilhas do arquipélago e causam destruições e impactes económicos significativos. Após 1947, as principais crises sísmicas que afectaram os Açores traduzem-se pelos “picos” de sismicidade nos anos de 1958 (Capelinhos, Faial), 1964 (São Jorge), 1973/74 (Pico), 1980 (Terceira), 1988/89 (São Miguel e Graciosa) e 1998 (Faial).
Flora dos Açores
O Arquipélago dos Açores (36-39ºN, 25-31ºW) situa-se a cerca de 1,450 Km Oeste de Portugal Continental e tem de área terrestre 2,333 Km2. É constituído por nove ilhas de origem vulcânica, formando três grupos (grupo oriental - São Miguel, Santa Maria; grupo central - Terceira, Graciosa, São Jorge, Pico, Faial e grupo ocidental - Flores e Corvo) e o ponto mais alto situa-se na ilha do Pico a 2,351 metros.
Os Açores fazem parte da zona biogeográfica chamada Macaronésia, que inclui os arquipélagos da Madeira, Canárias e Cabo Verde, as ilhas Selvagens e uma franja da costa ocidental de África. A sua flora tem uma diversidade elevada e o número de endemismos é muito considerável pois são uma relíquia do que resta de uma vegetação que remonta à Era Terciária, que desapareceu em quase todo o continente europeu devido às glaciações ocorridas no final do período terceário. O botânico Philip Baker (1860) utilizou inicialmente o nome Macaronésia para incluir os arquipélagos dos Açores, Madeira, Canárias e Cabo Verde.
As ilhas foram colonizadas pelo homem nos finais do séc. XV e o coberto vegetal foi consideravelmente alterado desde então. A destruição de grandes áreas de floresta primitiva (dominada por Laurus azorica e Juniperus brevifolia) para aumentar as áreas de pastagens, bem como a introdução de plantas exóticas e invasoras, tais como por exemplo: Pittosporum undulatum (incenso), Hedychium gardnerarum (roca), Carpobrotus edulis (chorão), Arundo donax (cana), Clethra arborea (folhado) e Hydrangea macrophylla (hortência), vieram aumentar ainda mais as ameaças à flora natural e endémica do arquipélago, flora esta que, à excepção de pequenas, mas importantes manchas de vegetação, se encontra confinada a lugares inacessíveis.
Os Açores fazem parte da zona biogeográfica chamada Macaronésia, que inclui os arquipélagos da Madeira, Canárias e Cabo Verde, as ilhas Selvagens e uma franja da costa ocidental de África. A sua flora tem uma diversidade elevada e o número de endemismos é muito considerável pois são uma relíquia do que resta de uma vegetação que remonta à Era Terciária, que desapareceu em quase todo o continente europeu devido às glaciações ocorridas no final do período terceário. O botânico Philip Baker (1860) utilizou inicialmente o nome Macaronésia para incluir os arquipélagos dos Açores, Madeira, Canárias e Cabo Verde.
As ilhas foram colonizadas pelo homem nos finais do séc. XV e o coberto vegetal foi consideravelmente alterado desde então. A destruição de grandes áreas de floresta primitiva (dominada por Laurus azorica e Juniperus brevifolia) para aumentar as áreas de pastagens, bem como a introdução de plantas exóticas e invasoras, tais como por exemplo: Pittosporum undulatum (incenso), Hedychium gardnerarum (roca), Carpobrotus edulis (chorão), Arundo donax (cana), Clethra arborea (folhado) e Hydrangea macrophylla (hortência), vieram aumentar ainda mais as ameaças à flora natural e endémica do arquipélago, flora esta que, à excepção de pequenas, mas importantes manchas de vegetação, se encontra confinada a lugares inacessíveis.
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